Rosiane Pinheiro em  A TARDE ONLINE

Jornal A TARDE ONLINE

(15 dezembro 1999)

 

“Cultura” do bumbum:

 Quando a anatomia determina a profissão.

(Jose Bomfim)

       Quem anda trilhando o sucesso de Carla Perez é a princesa do Carnaval de 1997, hoje uma das musas da Gang do Samba, Rosiane Pinheiro, 25 anos. Segunda colocada no concurso Morena do Tchan, fez uns três shows no Cafuné, até ser escalada para a Gang. Antes da música ela somou alguma experiência como modelo e cursou o 2º ano do 2º grau. Sonha ainda em fazer o curso de medicina, para trabalhar como médico-legista. A vida de Rosiane não é tão glamourosa quanto a de grandes estrelas do show business. Ainda mora de aluguel e, apesar de agradecer ao empresário pelo que fez até agora, acha que deveria estar faturando muito mais do que recebe. Quanto fatura? “Não falo de cachê”, afirma.
Há menos de um mês terminou o namoro com o campeão de boxe Acelino Popó. “Tínhamos problema de falta de tempo”, explica, acrescentando que fazer ginástica, ensaiar e viajar seguidamente tornam seu cotidiano complicado. Além disso,
Rosiane acha que depois do sucesso ficou mais difícil paquerar. “Os homens ficam com medo de se aproximar de mim”, frisa. Alguns, principalmente atores famosos, ela andou dispensando, pois quer alguém que seja mais de sua praia. Mas, e o fascínio que a bumbum exerce? Ela não sabe explicar. Só percebe que onde vai e rebola a sua saia-short de 105 cm o clima fica mais quente entre os homens. Leitura? Leu há pouco tempo “Verônika decide morrer”, de Paulo Coelho. Lembra-se saudosa do melhor livro que já leu: “Naquele tempo feliz”, do jornalista José Augusto Berbert.

Sem “glamour”.

      Quem imagina que a vida das dançarinas dos grupos de pagode é um mar de rosas deve mudar de idéia. Não há nenhum glamour, pelo menos para aquelas que ainda não chegaram ao estrelato. Quem chegou ao topo e soube administrar o sucesso, está numa boa. Quem, no entanto, em determinado momento brigou com o empresário e resolveu tomar outro rumo, enfrenta a cada dia um eterno recomeço. Além disso, não são poucas as que sofrem com assédio sexual de pessoas até próximas, chantagens e agressões do parceiro ciumento da hora.   Uma das que tentam dar continuidade à carreira, depois de um começo arrasador e posterior queda livre, é Sara Verônica de Jesus Oliveira, 21 anos. Sara começou a dançar aos 16 anos, na Gang do Samba, namorou com Beto Jamaica, do É o Tchan, depois entrou na Companhia do Pagode. Quando parecia que a carreira ia decolar, desentendeu-se com o empresário. Junto com Diumbanda e Tom, formou o Boquinha da Garrafa, aproveitando o sucesso da música do mesmo nome. Ela afirma que hoje fica com 15% do que o grupo arrecada. Tom bota no bolso também 15% e Diumbanda leva 70% do bolo.
No período do sucesso da música Boquinha da Garrafa, Sara posou para a revista Sexy. E aguarda uma nova proposta, com apoio da família. Os pais freqüentam a Igreja Batista e moram no Caminho de Areia. Sara tem um apartamento na Barra. Depois de amores frustrados, ela declara estar em outra e promete ainda fazer sucesso, como sua amiga Carla Perez. “Começamos junto”, diz. Sara terminou o magistério no Colégio Costa e Silva. Gosta de ler revistas e de navegar na Internet. Fora isso, ensaia para “arrasar” nos shows. E o fascínio da bunda? Não sabe explicar, mas vê que os homens ficam loucos com os seus requebros.

Um rebolado que rende R$ 800 por mês.

      Guaraciara Mattos Lique, 25 anos, a Lua do grupo Coisa de Acender, está há três anos em Salvador e tornou-se conhecida do público como a garota que entregou o cinturão de campeão a Acelino Popó. O que a galera não sabe é que a capixaba de Vila Velha. No Espírito Santo, fez parte da banda Subversão. Ah! sim, antes de Rosiane, namorou com Popó. O lutador vai assim construindo a fama de galã das dançarinas.
Durante um show do É o Tchan, no Espírito Santo, o rebolado frenético de Lua chamou a atenção de Beto Jamaica que a convidou e mais três garotas ao palco. Saiu-se tão bem que acabou adotada por Carla Perez, a quem dedica palavras de tiete. “Ela é fantástica como profissional e excelente pessoa”, acrescentando que da amiga famosa ganhou diversas roupas para show e o incentivo de se tornar dançarina. Morou na casa de Carla até conseguir alugar um apartamento na Rua Carlos Gomes, onde mora com uma irmã de 16 anos. Vai se defendendo em várias frentes: faz comercial de TV, compõe o cenário de dançarinas em um programa televisivo e dança no Coisa de Acender. Leu há pouco tempo o livro “A vida de Ney Ferreira”, entregue pelo antigo político baiano. Por mês, diz faturar cerca de R$ 800.
“Os intelectuais pensam que somos só rebolado, mas se o trabalho das dançarinas não fosse bom não faria o sucesso que faz. Eu não ligo para comentários destrutivos. Depois, como vamos nos informar, ler, se não temos tempo?”, questiona Lua, deixando escapar que, em breve, será motivo de notícia, junto com um famoso artista da axé music. O que será? Deixa no ar.

Fonte: A Tarde Online